Em 6 de agosto de 2008 Por Redação Em Artigos - 652 Visualizações

Jornal do Brasil

O tradicional Jornal do Brasil, fundado em 1891, saiu de circulação em julho de 2010, quando foi anunciado o fim da edição impressa do jornal. Em setembro do mesmo ano, o Jornal do Brasil passou a existir somente em versão online – http://www.jb.com.br/. O JB, como era chamado, foi um dos maiores jornais do país, tendo disputado a atenção dos leitores com o jornal O Globo.

Fundado pelo ex-ministro da Justiça, Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, para defender a monarquia deposta em 1889, o jornal teve a sua primeira sede na Rua Gonçalves Dias, 56, no centro do Rio de Janeiro. O jornal, de origem conservadora, teve a sua sede invadida em 1891, já que a direção do Jornal do Brasil e o governo não se entendiam, pois defendiam pontos de vista diferentes. As mudanças de comando e as constantes invasões provocaram uma crise financeira no jornal.

Em 1893, com Rui Barbosa na função de redator-chefe, o jornal passou a defender o regime republicano. Por ter sido o único periódico da então Capital a publicar o manifesto do Contra-Almirante Custódio de Melo quando da eclosão da Segunda Revolta da Armada, o presidente da República, Floriano Peixoto determinou o fechamento do jornal e mandou caçar Rui Barbosa, vivo ou morto.

Após um ano e quarenta e cinco dias de fechamento, o JB voltou a circular a partir de 15 de novembro de 1894, sob a direção da família Mendes de Almeira. A proposta agora era ser um jornal popular, voltado para as reivindicações populares.

Em 1906, o jornal passou a ser sociedade anônima e, em 1910, o Jornal do Brasil se transferiu para um prédio na Avenida Central, 110 – atual Avenida Rio Branco. Com a I Guerra Mundial e o encarecimento do papel, o Jornal do Brasil passou por uma nova crise financeira e a empresa foi hipotecada ao Conde Pereira Carneiro. Sem poder resgatar a hipoteca, a família Mendes de Almeira viu o jornal passar para as mãos do Conde. Com a mudança de donos, acabava a era do jornal popular e sensacionalista. A ideia era transformar o Jornal do Brasil em um jornal mais moderado.

Jornal do Brasil

Nos anos 20, ou melhor, no ano de 1921, chegou ao jornal o jovem Barbosa Lima Sobrinho, de 21 anos, e que se transformou em um dos grandes expoentes do jornal, tendo trabalhado no JB por quase 80 anos. Nos anos 30, com a chegada Getúlio Vargas ao poder, o jornal foi invadido, ficando fechado por quatro meses. Durante a década, o jornal passou por outras crises financeiras e, para contorná-las, a direção decidiu dar menos destaque aos fatos políticos, às artes e a literatura, e maior destaque aos anúncios.

Nos anos 40, o Jornal do Brasil apoiou a deposição do presidente Getúlio Vargas, prosseguiu em sua trajetória de jornal popular e manteve o destaque dos anúncios classificados em suas primeiras páginas.

Com a morte do Conde Pereira Carneiro, a viúva Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, conhecida como Condessa, assumiu o lugar do marido e passou a tomar conta do jornal juntamente com o genro Manuel Francisco do Nascimento Brito. Por intermédio de Nascimento Brito, o jornal adquiriu novos equipamentos gráficos, com os recursos técnicos necessários para sua modernização. O processo de reformulação ocorreu nos anos 50.

Em setembro de 1960, o Jornal do Brasil lançou o Caderno B, primeiro caderno da imprensa brasileira exclusivamente dedicado a variedades e que passou a ser o modelo para os segundos cadernos e cadernos culturais editados em todo o País. Por lá passaram nomes como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Henfil, Ziraldo, Marina Colasanti e Zózimo Barroso do Amaral. Em maio de 1961, o jornalista Alberto Dines passou a ser o editor-chefe, em substituição a Jânio de Freitas, consolidando a reforma iniciada na década passada.

O Jornal do Brasil apoiou abertamente o golpe militar de 1964, tendo, inclusive, publicado um editorial defendendo a deposição do presidente João Goulart. Apesar de todas as restrições à imprensa, o periódico manteve a posição de apoiar o regime militar, mas combateu algumas ações dos militares. Por isso, passou por represálias, censura prévia e teve de contar com a presença de censores na redação. A sede chegou a ser invadida em 1964, e o boicote econômico do governo ao jornal causou sérios prejuízos à empresa.

JB AI5

Em 1968, no dia seguinte a publicação do AI-5 (Ato Institucional nº 5), e com o jornal censurado, o JB publicou várias matérias dispersas substituindo as censuradas. Isso inclui uma nota sobre o clima que se tornou clássica: “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras”.

Nos anos 70, o jornal se mudou para a nova sede, na Avenida Brasil, 500, onde ficou até 2005. Os problemas com o governo continuavam e, em 1976, o Gabinete Militar da Presidência da República chegou a montar um relatório confidencial com uma série de medidas contra o Jornal do Brasil, considerado um jornal contestador e subversivo. Entre as sugestões figuravam a suspensão do crédito e publicidade oficiais; a liquidação sumária dos débitos da empresa com entidades públicas, sem negociação; pressões contra anunciantes do jornal, sob ameaça de corte de crédito oficial; investigação fiscal e política da empresa e de seus diretores; suspensão do credenciamento de repórteres da empresa no Planalto, ministérios e órgãos estaduais, e a censura a qualquer momento, mas preferencialmente ”a apreensão do jornal depois de impresso, antes da distribuição”.

Em 1976, o Jornal do Brasil  publicou o primeiro número da revista Domingo, um grande sucesso editoral e que se tornou uma das principais marcas do jornal.

Com a morte da Condessa, Nascimento Brito assumiu a presidência da empresa, em 1983. No ano seguinte, o Jornal do Brasil se engajou na campanha Diretas Já” e apoiou a campanha que elegeu Tancredo Neves presidente da República no Colégio Eleitoral, em 1985. Em 1988, o jornal novamente expressava as suas opiniões ao se manifestar um crítico feroz da nova Constituição por considerá-la um documento que tornaria o país quase ingovernável.

Jornal do Brasil Online

Uma nova crise empresarial atingiria o Jornal do Brasil nos anos 90. No entanto, em 1995, o Jornal do Brasil se tornaria o primeiro jornal a lançar o seu conteúdo na internet. Apesar do ineditismo, a crise continuava e no fim da década de 90, o jornal terceirizava integralmente sua impressão e parte da distribuição com o jornal O Dia.

Os anos 2000 também foram de crise no Jornal do Brasil. Em 2001, a família Nascimento Brito arrendou o título do jornal para o empresário Nelson Tanure por 60 anos, renováveis por mais 30. A intenção do empresário, conhecido por comprar empresas pré-falimentares, saneá-las e depois revendê-las, era recuperar o prestígio do jornal. Naquele ano, a empresa voltou a se instalar na Avenida Rio Branco, 110. As vendas do jornal continuavam caindo, chegando a 70 mil em média durante a semana e 105 mil aos domingos. No entanto, em 2003, houve uma melhora nas vendas. Em 2005, o JB instalou-se na Casa do Bispo, imóvel histórico localizado no Rio Comprido e, em 2006, começou a circular nas bancas no chamado “formato europeu”, um formato de jornal maior que o tabloide e menor que o convencional. Em 2007, as vendas aumentaram um pouco, atingindo 100 mil exemplares.

No entanto, com dívidas estimadas em R$ 100 milhões e vendo a circulação despencar – em março de 2010, o JB vendia apenas cerca de 21 mil exemplares –, Tanure tentou encontrar um comprador para o jornal. Sem sucesso, ele decidiu manter o jornal só na internet. A última edição impressa saiu no dia 31 de agosto de 2010.

Um triste fim para um jornal que fez parte da história do jornalismo brasileiro, que contou com um time de jornalistas de primeira ao longo dos anos e que soube retratar, em suas páginas, o que de mais importante e relevante aconteceu no Brasil e no mundo. Agora o Jornal do Brasil online continua carregando a tradição de um dos mais importantes jornais do Brasil.

Imigrantes do Clarim Diário, vieram pra cá após terem sido demitidos por J. Jonah Jameson por gostarem do Homem-Aranha. Viciados em informação, aceitaram a árdua tarefa de noticiar coisas relevantes, curiosas e divertidas em troca de rosquinhas de milho.

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